Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

 

Era uma vez, uma vez bastante longíqua da nossa actualidade, um mundo perfeitamente talhado. Todos os seres humanos, animais, plantas e outras espécies viviam em perfeita comunhão entre si. A paz reinava tranquilamente. A amizade, a honestidade, a diversão, o amor eram tão vulgares como o desabrochar de uma flor num dia de Sol ou o cantar dos rouxinóis pela manhã. Tudo era demasiado perfeito, irrisório até. Mas era verdadeiro. Era o planeta perfeito, uma serenidade jamais alcançada noutras alturas. Eu vivia neste mundo, tranquilamente. Saltitava pelas ruas de paralelos brilhantes todos os dias, com a minha saia rodada e a minha camisa floral solta, para sentir a frescura do ar. Sentia-me enfeitiçada por ter sido afortunada com a minha vida. Enquanto flutuava tranquilamente pelas extensas ruas, tu passavas por mim, e o teu simples perfume era o suficiente para me deixares encantada por ti durante todo o dia. Dias estes que duravam meses, sempre que nos cruzávamos, todos os dias, pelas ruas raiadas pelo sol brilhante. Mas este universo não era perfeito. Numa manhã, ao vestir o meu vestido branco de renda e ao pegar na minha mala colorida para sair de casa, não consegui saltitar, impulsionar-me para a frente. Apenas os meus olhos se moviam, chocados com tal visão. Tu, de mão dada, a saltitar lentamente e com um sorriso terno e apaixonada, com ela. A minha vida derrocou, com um simples acontecimento. Resolvi trocar as minhas vestes por algo escuro e monocromático, como se estivesse de luto. Encaminhei-me para a praia, com os olhos marejados pela àgua salgada que me escorria pelas faces; todas as pessoas olhavam-me com curiosidade, porque não observavam ninguém triste ou choroso à anos. Sentei-me perto de um pequeno leito do rio, que se encontrava praticamente vazio devido ao calor tórrido que se fazia sentir. E comecei a chorar. Durante segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos. Só lacrimejava. Era a única necessidade vital que o meu corpo tinha e necessitava, apesar da magreza pela falta de alimentação ou das olheiras, resultantes de falta de sono e descanso. Ninguém me tocava, pois sentiam que eu era possuídora de uma doença contagiosa. E era. Coração partido, falta de amor. Eu era a guerra, a afronta ao mundo perfeito. Ganhei raízes junto às margens do rio. Doei-me à natureza, enchendo o rio com as minhas lágrimas abundantes. Quando, finalmente, a Morte chegou, deixei-me abraçar por ela, e parti. Entrei no Céu. Quando pude visionar os humanos, detive-me em ti. Estavas perto do rio, a chorar, assim como outrora eu estivera. E assim percebi que tu me amavas. O nosso amor era o nosso rio, onde as nossas lágrimas se fundiam e se tornavam num só. O rio brotava nos nossos corações.



publicado por Isabela às 22:14 | link do post | comentar | favorito

11 comentários:
De lostdreams a 21 de Janeiro de 2011 às 22:44
olá.
oh está tão tão lindo. adorei querida.
beijinhos


De lostdreams a 21 de Janeiro de 2011 às 22:50
pois. :) mas olha que está lindissimo. tens muito jeito para escrever.


De lostdreams a 21 de Janeiro de 2011 às 22:58
de nada. só estou a ser sincera.
oh muito obrigada minha querida. a sério, é tão bom ouvir isso. apesar de que eu acho que não escrevo nada de especial. ainda tenho muito a aprender.


De agnes hope a 21 de Janeiro de 2011 às 22:59
pois é! mas a tua é mais, muitoo mais *.*


De gatinhafofa a 22 de Janeiro de 2011 às 07:55
amiga querida há um sorteio no meu blogue http://coisinhassobresaude.blogs.sapo.pt vai ate lá ver e por favor divulga o sorteio nos teus blogues. mil beijinhos,tem um bom fim-de-semana!!


De Mag a 22 de Janeiro de 2011 às 11:40
WOW!
Estou a chorar. Está lindo! PERFEITO!
Adorei!
Nota-se que tem muito de ti, este texto.
Se necessitares de mim, diz-me que eu ando por aqui, sim?

Beijocas!


De Someone a 22 de Janeiro de 2011 às 11:43
mesmo a sério ._.
que texto liindo :3


De Cátia a 22 de Janeiro de 2011 às 11:44
Olá :)
Desculpa a demora a responder, obrigada pelo elogio :D

Beijinhos*


De Tea & Coffee a 22 de Janeiro de 2011 às 12:26
Tens um jeito para escrever incrível :o
Não tenho muitas novidades para contar querida...Ando super atarefada com a viajem, e num reboliço com João no olha, não-olha...enfim.
E tu que me contas fofinha? :)
beijinhos^^ love you


De J. a 22 de Janeiro de 2011 às 18:44
fantástico.


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Cátia Vanessa Castro Reis; 03 de Dezembro de 1992; Robert Pattinson; Escrita; Futura Jornalista ou Psicóloga; Saga Twilight; Muse; Cinema; Música; Gossip Girl; Shopaholic; Amor; Bandoletes; Cupcakes.

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